Joyce responde:
-Joyce, como aproveitar o potencial tecnológico de informações na era das mentes digitais?
As diferentes pesquisas sobre a temática bem como a influencia da cultura digital no cérebro humano. Há de se considerar a influência da tecnologia na geração analógica, em especial, nas pessoas da geração Y (nascidos entre 1980-1990) e na geração Z (1990-2010). Estes que foram desde o nascimento cerceados pelas conexões de rede por aparelhos móveis, aqueles que nasceram com o inicio da internet e expansão dos computadores. Expostos a interatividade e conectividade virtual observa-se nas pesquisas de neurociências educacionais que o modo de pensar destas pessoas mudou significativamente, porém algumas desvantagens podem ser notadas, em especial nas relações e no modo de buscar informações ao tempo de um click, são mentalmente ágeis, mas culturalmente ignorantes, pois não conhecem a fundo a relação com o outro, nomeiam de colegas pessoas que nunca viram, amigos aqueles que curtem seu post no instagram, namorado aquele que te manda mensagem toda noite, etc. Relações superficiais para pessoas que estão se tornando também superficiais e altamente tecnológicas, onde a frieza das relações e o calor das máquinas tem adjetivos inversos em suas concepções.
Aplicando esses conceitos a minha prática como professora do ensino fundamental (ciclos 1 e 2), não cabe a escola competir com os computadores, lhe cabe ser um contrapeso a tecnologia, gerando experiências significativas a partir da experimentação, da busca pelo pensamento infantil, ingênuo, curiosos e profundo, em especial nas relações com o outro. Outro ponto importante é desenvolver as habilidades paulatinamente nos dois hemisférios cerebrais, não apenas no desenvolvimento racional, mas também no desenvolvimento emocional, tendo como base a interação destes na conquista das diferentes atividades.
Não há como se negar a tecnologia em sala de aula, mas andar de mãos dadas com ela é o caminho a se percorrer na escola, não em frente as telas, e tampouco somente com papel e caneta, mas despertando a curiosidade, desacelerando a socialização antecipada e a perda do conhecimento ingênuo no pensamento infantil. Estar em sala de aula é experiência com auxilio do bom professor o outro, as relações e as inter-relações sociais e culturais, aplicando seu repertório nas diferentes modalidades do processamento psicológico: sensitivo, perceptivo e cognitivo. Aplicando o que se sabe entre as diferenças entre as "máquinas" e o "humano" -> a inteligência generalizada , com sentidos, emoções, moralidades, empatia, imaginação, criatividade, intuição e também privacidade mental.
Cabe a nós professores, mestrandos, doutorandos, especialistas disseminar as informações para que a tecnologia seja aplicada como via de mão dupla, não uma vida virtual, mas de auxílio a vida real.

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